Frutos da honra

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domingo, 5 de junho de 2011

Juízes - Um livro de guerreiros

Os juízes


Durante o período dos juízes (1390—1050 a.C.), o povo de Deus afastou-se do Senhor repetidas vezes, seduzido pelas religiões e pela imoralidade dos povos que deixaram de expulsar de Canaã. Por essa razão, Deus permitiu que esses povos fossem um “espinho” na história de Israel e seus ídolos fossem armadilhas para o povo (2.3). Deus estava testando a nação, e os israelitas foram reprovados, pois:
·  Prestaram culto aos deuses dos cananeus (2.11-13);
·  E uniram-se em casamento com os povos de Canaã (3.5,6).
Deu-se início então ao ciclo de pecado, juízo, arrependimento e libertação que aparecem repetidas vezes no livro de Juízes. Quando o povo pecava, Deus o entregava nas mãos de uma nação inimiga. Quando o povo se arrependia e clamava a Deus, ele enviava um libertador para livrá-los da opressão e servir como líder civil e religioso, exercendo governo sobre o povo até o fim da sua vida. Depois da morte desse juiz, invariavelmente o povo voltava a pecar, iniciando mais uma vez o ciclo.
Entre os juízes, alguns ocupam um espaço muito maior que os outros. Isso não quer dizer necessariamente que o impacto de suas vidas sobre o povo não teve a mesma importância. No entanto, Deus escolheu preservar mais pormenorizadamente a história de alguns deles. Vejamos o espaço que cada um dos juízes ocupa na narrativa bíblica:
Juiz
Texto Bíblico
Quantidade de versículos
Otoniel
3.7-11
5
Eúde
3.12-30
19
Sangar
3.31
1
Débora / Baraque
4.1 - 5.31
55
Gideão
6.1 - 8.35
100
Tolá
10.1,2
2
Jair
10.3-5
3
Jefté
10.6 - 12.7
80
Ibsã
12.8-10
3
Elom
12.11,12
2
Abdom
12.13-15
3
Sansão
13.1 - 16.31
96





Nesta aula, vamos examinar as passagens da vida daquele que mais recebe a atenção do autor do livro de Juízes: Gideão.

Contexto histórico
Nos dias de Gideão, os israelitas eram oprimidos pelos midianitas. Mais uma vez, a razão dessa opressão estrangeira, que durou sete anos, foi a desobediência de Israel, que não deu ouvidos aos mandamentos da lei e prestou culto aos ídolos cananeus (6.7-10).
Os midianitas lideravam uma horda de tribos árabes nômades (formadas pelos amalequitas e outros povos, cf. 6.33), que saqueavam anualmente as plantações de povos militarmente mais fracos. Eles contavam com uma “arma secreta”, que lhes proporcionava larga superioridade ante os outros povos: os camelos (cujo uso em campanhas militares é documentado pela primeira vez aqui). A extensão dos ataques dos midianitas abrangia os territórios das tribos de Manasses, Aser, Zebulom, Naftali e Efraim (6.33—8.1), penetrando até Gaza (6.4), na extremidade sul da Filístia. A batalha final foi travada no vale de Jezreel (6.33). Eles não queriam se estabelecer em Canaã, mas sim aproveitar-se da terra todos os anos, ao se aproximar o tempo da colheita, devastando as plantações e levando Israel à miséria (6.2-6).

A chamada e a preparação de Gideão (6.11-40)
Gideão é um dos mais nobres dos juízes. Destaca-se por sua cautela, coragem e constância. É um dos personagens que figuram a lista dos “heróis da fé” de Hebreus (Hb 11.32).
·  Foi chamado enquanto malhava o trigo para escondê-lo dos midianitas (6.11,12);
·  Questionou a Deus, por causa da situação calamitosa de Israel (6.13,14);
·  Reconheceu não ter as habilidades necessárias para desafiar os inimigos (6.15,16);
·  Pediu ao Senhor um sinal que autenticasse a sua chamada (6.17,18);
·  Sua primeira comissão foi derrubar o poste ídolo do seu pai e o altar de Baal, e depois construir outro em seu lugar, o qual foi dedicado ao Senhor (6.25-27);
·  Foi revestido de poder pelo Espírito do Senhor e convocou o povo (6.34);
·  Pediu ao Senhor um sinal de que iria realmente libertar Israel (6.36.40).


A guerra de Gideão (7.1—8.21)
Trinta e dois mil israelitas responderam ao chamado de Gideão para irem à guerra. Comparados aos 135.000 que compunham o exército dos midianitas, eram muito inferiores.
·  Para evitar que Israel se orgulhasse e atribuísse a vitória à força do seu próprio exército, o Senhor o reduziu de 32.000 para 300 soldados, mandando embora:
2) Os covardes (7.3);
1) E os displicentes (7.5-7).
·  Gideão foi encorajado pelo Senhor, através do que ouviu dentro do acampamento dos inimigos (7.13-15);
·  Gideão dividiu os seus trezentos homens em três companhias, e os municiou com trombetas e jarros vazios, com tochas dentro (7.16);
·  A tática de Gideão provocou pânico nos esquadrões midianitas, que acreditaram estar sendo atacados por um numeroso exército, de maneira que desembainharam as espadas, feriram uns aos outros e começaram a fugir precipitadamente para o Jordão (7.22-24).
Tudo isso deu oportunidade para que as demais tribos de Israel reconhecessem que Deus lhes havia dado a vitória, e se unissem à perseguição. De maneira que todos partilharam os frutos, mas apenas Deus recebeu a glória (7.24—8.21).


O fim da história de Gideão (8.22-35)
A ambigüidade da personalidade de Gideão torna-se evidente nos últimos episódios registrados sobre a sua vida:
·  Gideão rejeitou a oferta de ser aclamado rei de Israel (8.22,23);
·  No entanto, demonstrou pouca sensatez, ao fazer um manto sacerdotal, com mais de 20 quilos de ouro, objeto associado ou às funções sacerdotais ou à idolatria – ambos expressamente proibidos a Gideão (8.24-27);
·  Teve muitas mulheres e concubinas, e gerou setenta filhos (8.30). Mais tarde um dos seus filhos, Abimeleque, assassinou todos os seus irmãos (9.5).
O legado que Gideão deixou para os israelitas parece ter sido tão ambíguo quanto a sua personalidade. Se, por um lado, Israel desfrutou de 40 anos de paz, enquanto Gideão estava vivo (8.28); por outro, Gideão induziu o povo à prostituição espiritual (8.27). Apesar de ter recusado o título de rei, oferecido pelos israelitas, Gideão passou a se comportar como um rei, o que pode ter levado Abimeleque (que curiosamente significa “meu pai é rei”, em hebraico), um dos seus filhos, a desejar tornar-se rei de Israel (8.5,6).
Mas acima de tudo isso, é claro, a grande vitória de Gideão sobre os midianitas ficou gravada na memória hebraica: Samuel a mencionou (1Sm 12.11), Asafe cantou sobre ela em um dos seus salmos (83.9), Isaías não encontrou um triunfo mais glorioso do que o dia de Midiã (Is 9.4) e, como já foi dito, teve o seu nome incluído na lista dos “heróis da fé” pelo autor de Hebreus (Hb 11.32).
A vida de Gideão transmite lições importantíssimas aos leitores bíblicos. Vejamos algumas delas, as quais podemos aplicar à nossa própria vida:
·  Pessoas humildes e insignificantes podem desempenhar um papel vital no plano de Deus;
·  Os crentes nunca devem colocar Deus à prova, mas Deus graciosamente pode lhes encorajar com sinais;
·  A obediência em pequenos atos pode capacitar-nos para ministérios ou responsabilidades maiores;
·  Deus exige a nossa fé nele, mesmo quando as circunstâncias são não são encorajadoras;
·  O sucesso traz perigos especiais para o crente;
·  Quando Deus está do nosso lado, e somos fiéis a ele, os números e as estatísticas são insignificantes.

Bibliografia: Comentário Bíblico do Professor, Lawrence Richards, Editora Vida; Os livros históricos, Paul Hoff, Editora Vida; Bíblia de Estudo NVI, Editora Vida; Juízes e Rute, introdução e comentário, Arthur E. Cundall e Leon Morris, Edições Vida Nova.

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